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Jane Eyre

de Charlotte Brontë
Editor: Relógio D'Água, maio de 2011 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Jane Eyre, pobre e órfã, cresceu em casa da sua tia, onde a solidão e a crueldade imperavam, e depois numa escola de caridade com um regime severo. Esta infância fortaleceu, no entanto, o seu carácter independente, que se revela crucial ao ocupar o lugar de preceptora em Thornfield Hall. Mas, quando se apaixona por Mr. Rochester, o seu patrão, um homem de grande ironia e algum cinismo, a descoberta de um dos seus segredos força-a a uma opção. Deverá ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir as suas convicções, mesmo que para tal tenha de abandonar o homem que ama? Publicado em 1847, "Jane Eyre" chocou inúmeros leitores da Inglaterra vitoriana com a apaixonada e intensa busca de uma mulher pela igualdade e a liberdade.
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Quando o frio aperta

Há quem veja o inverno como uma estação de resistência, um desafio silencioso a que sobrevivemos à base de mantas, chá e resmungos sobre a meteorologia. Mas o inverno também pode ser um convite. Quando o frio aperta, há livros que parecem abrir um espaço interior próprio, não porque sejam reconfortantes, alguns nem se aproximam disso, mas porque nos colocam num estado mais calmo e recolhido em que a leitura se intensifica. Há obras que pedem dias curtos, tempo para olhar para dentro e um silêncio que nem sempre encontramos no resto do ano. Os cinco clássicos que apresento a seguir mostram de que modo a leitura consegue aprofundar este silêncio próprio da estação. A Abadia de Northanger, de Jane Austen Catherine Morland é uma jovem ingénua, fascinada por histórias de aventura, que troca a sua vida pacata por uma temporada em Bath, onde descobre novos amigos e a oportunidade perfeita para dar largas à imaginação moldada pelos romances góticos que devora. Quando visita a abadia de Northanger, começa a ver mistério onde só existe rotina, a interpretar portas perfeitamente normais como pistas de grandes segredos e a imaginar perigos que só existem na sua cabeça. A Abadia de Northanger, de Jane Austen, é uma das obras mais leves e irónicas da escritora, mas a jornada de Catherine continua a ter um encanto muito próprio e encaixa neste período mais sossegado que o inverno convida a viver. Austen diverte-se a desmontar o exagero da literatura gótica, um género muito popular na sua época, e lembra-nos como a imaginação pode transformar o quotidiano num enredo dramático. A abadia torna-se assim o palco ideal para um romance que continua fresco e luminoso. COMPRO NA WOOK! » O Fio da Navalha, de William Somerset Maugham Se Austen nos oferece humor subtil, Somerset Maugham dá-nos uma boa dose de introspeção em O Fio da Navalha. Larry Darrell regressa da Primeira Guerra Mundial profundamente transformado e incapaz de voltar à vida confortável e previsível que todos esperam dele. Recusa o percurso profissional que lhe é traçado, afasta-se dos círculos sociais e parte em busca de algo que não sabe ainda nomear. Enquanto procura sentido em viagens, leituras e mestres espirituais, as pessoas que o rodeiam continuam presas às expectativas sociais, às aparências e às ambições materiais. Isabel, a mulher que o ama, representa esse mundo ordenado que Larry recusa, e Maugham constrói entre ela e o protagonista um dos contrastes mais elegantes da literatura do século XX. O romance acompanha este desfasamento entre quem procura respostas e quem procura estabilidade, e fá-lo com uma serenidade inquieta. Ao lermos O Fio da Navalha entramos num território em que todas as perguntas têm peso e cada gesto carrega a possibilidade de mudança. COMPRO NA WOOK! » Um Cântico de Natal, de Charles Dickens Um Cântico de Natal é talvez o clássico mais associado a esta época. Ebenezer Scrooge é um velho avarento, frio e impermeável ao mundo, e Charles Dickens apresenta-o logo nas primeiras páginas como alguém que fechou todas as janelas da alma. A transformação deste homem endurecido começa quando o fantasma do seu antigo sócio, Jacob Marley, o visita. Seguem-se as visitas dos Três Espíritos que o conduzem através do seu passado, do seu presente e do seu futuro possível. Cada uma dessas viagens revela fissuras que Scrooge se habituou a ignorar: a inocência perdida, a solidez aparente que esconde uma solidão escolhida e o impacto que a sua indiferença tem nos outros. O livro é muito breve, mas cheio de pequenos gestos humanos que fazem das cenas mais simples momentos inesquecíveis. Dickens, que conheceu de perto a pobreza e fez da crítica social um dos temas centrais da sua obra, usou este conto para defender a compaixão numa época em que o Natal ainda não tinha o calor que hoje lhe associamos. Talvez por isso, Um Cântico de Natal tenha ajudado a moldar o imaginário moderno da data, lembrando-nos que a celebração é menos sobre tradição e mais sobre proximidade, cuidado e humanidade. COMPRO NA WOOK! » Jane Eyre, de Charlotte Brontë Jane Eyre, de Charlotte Brontë, leva-nos para outra espécie de recolhimento. O romance acompanha o percurso de Jane desde a infância difícil, marcada pela rejeição da família Reed e pela experiência dura na escola Lowood, até à idade adulta, quando é contratada como governanta em Thornfield Hall. A casa, austera e carregada de silêncio, torna-se o cenário de um dos romances mais marcantes do século XIX. É ali que Jane conhece Edward Rochester, uma figura enigmática, marcada por sombras que nunca esclarece por completo. Brontë constrói entre ambos uma relação feita de tensão, desejo e revelações dolorosas. Thornfield esconde segredos que mudam tudo, e Jane vê-se obrigada a escolher entre a paixão e a integridade. A força do romance não está só no mistério ou no amor proibido, mas na determinação contida de Jane, que insiste em ser fiel a si própria quando o mundo lhe oferece pouco ou nada. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer da adaptação ao cinema de Jane Eyre, realizado por Cary Fukunaga, de 2011 O Amante, de Marguerite Duras À primeira vista, O Amante parece tudo menos um romance contemplativo, mas a sua força reside na maneira como Marguerite Duras trabalha a memória, a identidade e a vulnerabilidade. A narradora, já adulta, revisita a adolescência na Indochina colonial, onde viveu uma relação intensa e transgressora com um homem mais velho e muito mais rico. Duras descreve esse encontro com uma honestidade crua, feita de desejo mas também de desigualdade, vergonha, fascínio e poder. A jovem nunca tem pleno controlo da situação, mas também nunca abdica totalmente da sua autonomia. A relação é simultaneamente libertadora e destrutiva, e a narradora sabe, com a distância dos anos, que foi ali que se formou uma parte essencial do que viria a tornar-se. A escrita fragmentada, feita de frases que parecem respirar sozinhas, reforça a ideia de que a memória não linear, mas uma sucessão de imagens que sobrevivem ao tempo. O calor desta história não conforta, queima, e é nessa queimadura que reside a beleza da escrita de Duras. COMPRO NA WOOK! » Os clássicos de inverno não servem para aquecer as mãos, mas para iluminar o que fica mais nítido quando o mundo abranda. Austen diverte-nos enquanto desmonta fantasias. Maugham acompanha-nos na inquietação moral. Dickens lembra que o calor humano é um gesto pequeno mas transformador. Brontë oferece um mergulho no desejo e na solidão, e Duras traz o choque entre memória e identidade.

Jane Eyre

de Charlotte Brontë

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896412289
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: maio de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 233 x 22 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 456
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896412289

SOBRE O AUTOR

Charlotte Brontë

Escritora inglesa, nascida em 1816, em Thornton (Yorkshire), e falecida em 1855, filha de um pastor anglicano, perdeu a mãe em 1821, ficando confiada aos cuidados de uma tia materna. Em 1842, foi estudar, juntamente com a irmã Emily, para Bruxelas, onde mais tarde exerceu a função de professora. Em 1846, publicou, com Emily e Anne, o volume de versos Poems by Currer, Ellis, and Acton Bell, vindo o primeiro romance que escreveu, The Professor, a ser publicado postumamente, em 1857. Publicou igualmente os famosos romances Jane Eyre (1847), Shirley (1849) e Villette (1853).

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